terça-feira, 19 de outubro de 2010

Familia

Existe um conceito dentro do mundo gastronômico que eu gosto muito que é o dos restaurantes irmãos, basicamente é a mesma idéia de uma família. Os pais têm um filho, o primeiro restaurante, ele cresce forte e bonito, fica famoso e conquista sua autonomia. Então os pais ficam com aquele gostinho de quero mais. Daí trabalham num segundo projeto, que nasce com a mesma essência, mas com características bastante particulares. Quando você o visita, sente algo familiar e diferente ao mesmo tempo, sabe que ele é do mesmo sangue, mas tem uma personalidade única. A mesma coisa acontece com o terceiro, o quarto, o quinto... e a familia cresce. Exemplos bem sucedidos, em São Paulo, os Astor Brás Original Pirajá da Silva, por aqui, os Balthazar Morandi Minetta Pastis, ou os French Laundry Per Se Bouchon.

O que me faz gostar muito dessa maneira de expandir dentro do mercado de restaurantes tem muito a ver com o que eu acredito ser uma das coisas mais legais em ir até a um estabelecimento: vivenciar um momento incomum de descobertas, seja no cardápio, nas bebidas, no astral do ambiente. E porque eu sou super contra àqueles que viajam quilometros para comer no mesmo restaurante que tem na sua cidade. Ou porque eu acho que grandes chefs que espalham seu filho único por diversas capitais importantes do mundo são no fundo preguiçosos e/ou  pouco criativos, e realmente não enxergam que estão limitando suas próprias possibilidades. Pronto falei.

Ter vários filhos e respeitar suas individualidades pode dar trabalho, mas que graça têm ter dois amigos que falam exatamente dos mesmos assuntos? se vestem da mesma maneira? Ai que preguiça. Parabéns aos chefs de filhos diferentes, aqueles que gostam de imprimir sua essência em formatos diferentes, aqueles que a gente fica ansiosamente aguardando o próximo bebê ao mesmo tempo que não deixamos de ir na colação de grau do primogênito.

PS. Eu realmente não sei porque falei desse assunto, muito mesmo dessa maneira meio manifesto (nem sou revoltada). De qualquer maneira fica uma lista de familias legais aqui que merecem sua confiança.
fachada do Balthazar

Nome do Pai: Keith McNally
Balthazar, o primogênito
Pastis, o descolado
Morandi, o caseirinho
Minetta Tavern, a única filha, super disputada
Pulinos, o rock'n roll
salão do Per Se, em NY
Nome do Pai: Tomas Keller
French Laundry, o filho perfeito
Per Se, o filho perfeito que foi morar na cidade grande
Bouchon, o acessível
ABC Kitchen, o novo descolado do pedaço
Nome do Pai: Jean-Georges Vongerichten
Jean-Georges, sua excelência
Mercer Kitchen, o artista bem sucedido
Spice Market, o concebido nas Índias
ABC Kitchen, o hipster

5 comentários:

  1. delicia de post!
    só faltou incluir os do Daniel Boulud.

    bjos bjos

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  2. Adorei o post! Amei o seu blog e estou te seguindo!
    Se puder passa no TC!

    bjos,

    TC

    www.tabuleirochic.com

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  3. Oi Mariana, nem me lembro mais como cheguei ate o seu blog, mas ja o leio ha um tempinho e gosto bastante, apesar de nunca ter comentado. Esse post esta otimo e sua caracterizacao dos filhos ficou perfeita.
    Parabens pela Brigadeiro Bakery e muito sucesso. Estou so esperando uma ocasiao especial (ahan, uma desculpa) para encomendar uns bem-casados.
    Um abraco
    Raquel

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  4. Paula, pra ser honesta eu até lembrei do Boulud, mas acho que como eu nunca tive muita sorte em nenhum dos restos dele, eu acabei deixando de fora. Mas vele uma menção! thanks! bjo!

    TC, dei um pulo no seu blog, muito legal, parabéns! bjo!

    Raquel, Legal como a gente entende melhor quando contextualiza as coisas. Obrigada e os quitutes estão à disposição quando a oportunidade surgir! bjo!

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  5. MARI, ADOREI A MANEIRA DE VC FALAR SOBRE OS RESTAURANTES ! SUPER DIDÁTICO E DELICIOSO DE LER!
    BJS

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